“Me Calei na Minha Busca” - de Amenof Sinuhe

 

Enquanto atravessava aquele vale, contemplei um céu inundado de estrelas. Nunca me senti tão pequeno e insignificante. Fugi, por um instante, daquela realidade e me imaginei em meio à imensidão do espaço, tentando abraçar as estrelas. Foi uma ideia banal diante de nossa realidade. Um pouco de pensamento infantil me faz esquecer os desgastes dessa viagem. Fico aguardando a chegada de meu querido amigo, que traz luz e calor ao nascer do dia. Ele estará lá, eu sei. Quanto a mim, não tenho certeza. Eu queria estar lá para ver, mais uma vez, toda aquela explosão de vida e sentir aquela sensação que parece impossível ser real.

Enquanto caminho, meus passos ficam mais leves à medida que me imagino entre as estrelas. Elas são amigas queridas e companheiras. O tanto que não sei delas preenche o espaço que separa minha ignorância de minha razão. Eu sonho em estar vivo para poder acreditar que viver é um acontecimento quase imperceptível para a humanidade. Sinto cada pulsar de minha vida, e cada respiração é celebrada como um feito fantástico.

O que me aguarda lá? Por que sinto que deveria estar lá? Por que sinto falta do que parece que nunca foi meu? Eu olho para o céu e me sinto atraído por ele, como se uma mão me convidasse. 

Eu queria poder me transportar sempre que quisesse. Parece que minha vida está acorrentada a uma enorme bola de ferro maciça. 

 Eu grito por dentro para não acordar a noite e para não ouvir meu próprio grito e ter certeza de que enlouqueci. Ou de que me libertei de minha loucura.

 

(Este breve texto faz parte do livro "Últimas Memórias" de Alexandre Moraes do Nascimento) 

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